Apenas passando para informar que esse será o novo blog do Diário de uma lolita solitária versão 2.0 repaginada geral! Aconteceram muitas coisas, mas a principal é que perdi o domínio de administração do outro blog Diário de uma lolita solitária... Então agora, esse é o novo endereço ^w^
Beijinhos
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
A nobreza isolada
Hoje, o post é bem voltado para a realidade de admiradores da moda lolita e suas vertentes que vivem no interior, como eu... Então, se é o seu caso, venha compartilhar as palavras que Panda-chan escreve com tanto carinho...
Como tudo na vida precisa de um início, todos temos uma história diferente que nos apresentou o magnífico e estonteante mundo do qual apresentamos à nossa bolha particular de estilo de vida. No meu caso, uma lolita que vive em uma cidade com pouco menos de cem mil habitantes, mas com ares de interior esculpidos em nossas igrejas barrocas e nas fofoqueiras de plantão viajando entre as janelas dos vizinhos, não foi diferente.
Como quase todos do Brasil, conheci a moda lolita através de bandas e cantores japoneses. Conheci a banda Moi dix Mois que foi amor à primeira vista. Estava passando por uma transição, em uma das minha muitas fases durante a adolescência, com meus poucos doze anos, quando conheci a banda(em 2008), e juntamente, Mana, que desde essa época, além de tornar fã, acabei conhecendo e admirando as roupas que ele usava.
Porém, minha iniciativa com a moda lolita se deu dois anos mais tarde, e por influência da banda Versailles (que conheci no início de 2009-com meus doze aninhos ainda). Sempre fui alucinada com o figurino deles, principalmente com as roupas do Hizaki. Em uma procura no fansite brasileiro(em 2011), apareceu que Hizaki havia participado de um ensaio de fotos e servido de modelo para a Alice and the Pirates(Baby the Stars Shine Bright), e foi aí que comecei a procurar a respeito daquela moda que tanto me encantou aos doze anos. Com essa ideia na cabeça, acabei cedendo à tentação e decidi que iria aderir à moda. Porém, muitos fatores dificultaram minha situação no início(apesar de ter mergulhado de cabeça naquele mundo) e duas delas foram: 1º - eu sou gorda e alta(112 de busto, 90 de cintura e 120 de quadril e 1,70 e uns quebrados de altura) e 2º - moro em uma cidade longe de qualquer comunidade lolita(as cidades ficam no mínimo a umas duas ou três horas daqui).
Eis que então tomei uma decisão que afetou minha vida drasticamente: nem tudo precisa ser regrado ao molde tamanho 36/38, e eu não preciso de outras lolitas para ser uma. Minhas roupas são handmade e não tenho vergonha. Não é uma marca que vai fazer alguém mais lolita. Eu não costumo gostar muito dos padrões de algumas brands com exceção da Alice and the Pirates e Moi même Moitié. Sim, eu adotei o sub-estilo gothic não porque não sei coordenar as peças, (pelo contrário, gothic para mim é mais difícil) mas porque prints de frutas, animais e coisas fofinhas não me agradam muito, além de cores pasteis não acertarem muito bem comigo. Eu tenho duas saias florais mais classical e uma A-line vermelha, além de um vestido A-line também vermelho. Fora isso, estou para adquirir uma saia de notas musicais para o dia-a-dia também handmade. E essa vai ser a peça mais fora do meu sub-estilo.
Agora, cheguei a uma conclusão pouco tempo atrás... Meeting lolita é legal por ser um ponto de encontro entre as lolitas de determinados locais ou até mesmo do Brasil todo. Mas isso acontece em tempos espaçados, o que me deixam com a seguinte sensação: lolitas são lolitas só em encontros? Claro que não! Se lolitas andam por aí sendo lolitas sem precisar de outras, por que nós, do interior, também não podemos? Mas nunca é tão fácil assim...
Vejamos pelo meu exemplo: levando em consideração a minha família, com exceção da minha mãe, eu jamais, repito, jamais, seria lolita. O motivo? "O que as pessoas diriam se minha sobrinha usasse esses vestidos? Isso não é roupa de garota usar, isso é roupa de gente brega, sem noção, que tem merda na cabeça e só quer viver às custas dos pais. Se eu fosse sua mãe, jamais deixaria você andar assim na rua, seria vergonhoso para a família." Desse modo, deixaram claro a forma como estão em descontentamento, além de se importarem com o que as pessoas vão falar... O que eu fiz? Liguei um botãozinho mágico chamado "foda-se" e uso minhas roupas mesmo assim.
Assim, consideremos que tenho apenas uns dois ou três amigos mais próximos, às vezes sinto-me como se fosse uma Momoko gótica. Por quê? Ela pode ser amedrontadora algumas vezes, mas o fato dela pouco se importar em viver solitária é que a faz, em certo termos, "superior". E é assim que devemos ser, não podemos nos importar muito com o que as pessoas vão falar, porque elas falam de qualquer jeito. Se você, como eu, vive solitária(o) na sua cidade, em quesito de compartilhar dos mesmos gostos com outras pessoas, não tem porque ser amedrontado por isso. É apenas um ponto de vista.
Na cidade onde eu moro, em lugares onde frequento fielmente, como algumas lojas de bijuterias, sapatarias e um cebo literário, onde procuro por clássicos como Frankenstein, romances policiais do século passado e etc, os funcionários já se acostumaram comigo, e alguns até gostam das minhas roupas. Mas no início não foi assim... Eu era motivo de chacota em muitos lugares, as pessoas apontavam o dedo, riam, falavam de tudo, principalmente que a roupa que eu usava me deixava ainda mais obesa. De fato não ajuda a disfarçar meus quilos em excesso, mas o que eu uso ou deixo de usar é uma escolha minha. Eu fingia não ligar, não ver, agia normalmente, mas todos me olhavam de forma estranha. Tenha em mente que no início é meio complicado tanto para nós como para os outros, afinal é uma situação nova para todos.
Não há uma regra de como você não se deixa abater por algo como o deboche de algum leigo. Inclusive no blog da Ichigo tem muitos posts sobre a moda e o que os outros pensariam a respeito. A bem da verdade, é que nós nos vestimos de forma diferente, e as pessoas por não conhecerem a moda, têm medo. Algo que ouvi uma vez de um professor e muito me interessou, foi o fato dele comentar que em um século passado, na Europa, alguns nobres eram apontados na rua, e xingados pelos moradores das cidades. A partir daí, comecei a me enxergar dentro desse mundo, imaginando o motivo de debocharem... E cheguei a uma conclusão: lolitas/brolitas são vistos como algo surreal, e, em alguns casos, há uma demonstração de poder(mesmo que seja apenas no quesito visual) de muitos nobres antigamente. Isso afeta um pouco o modo de enxergar das pessoas, apesar de não justificar em nada o por quê de debocharem de uma roupa.
Então, se você é uma lolita que mora no interior/cidade pequena e não tem nenhuma lolita por perto para dividir experiências, não fique desanimada de mergulhar nessa moda. Muitas vezes, cidades pequenas/interioranas precisam de movimentos diferentes assim, é como se fosse um enfeite a mais para a cidade, como se realmente fôssemos de uma nobreza isolada.
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